[Resenha] Meu Par Ideal - Por Marcelo Segala

Em Meu Par Ideal, a escritora Bernadete Estanini segue um roteiro básico para contar uma história de amor: um casal se conhece casualmente originando uma tórrida paixão à primeira vista. Após isso, o relacionamento se aprofunda, as famílias são apresentadas, os ex-namorados de ambos tentam atrapalhar o romance e, finalmente, os dois terminam juntos e felizes.

O casal protagonista se chama Marina Mancini e Augusto Bittencourt. Citei nomes e sobrenomes porque essa é uma das características que percebi na escrita da Bernadete. Ela cita várias vezes os sobrenomes dos protagonistas. Marina é uma pediatra que divide um apartamento com a amiga Paulinha, também da área médica. Augusto é um policial federal autoritário porém romântico, como a própria autora o define ao decorrer do livro. É um casal jovem, bonito e transbordando sensualidade por todos os lados. Não são poucas as cenas onde a tensão sexual é aflorada ao extremo. Entretanto,  Bernadete escreve tudo com muita delicadeza, sem partir para o lado erótico muito menos para o pornográfico. Apenas aguça nossa imaginação.
            
           Vivendo em São Paulo, ela localizou a história na capital paulistana e, com isso, pude observar algumas características locais como as famosas baladas paulistanas, a rivalidade entre a torcida do Palmeiras e do Corinthians citada algumas vezes e também o fato dos protagonistas se chamarem carinhosamente por uma sílaba: Má e Gu. Quando morei em São Paulo alguns anos atrás, percebi que muitas pessoas se tratavam assim entre amigos, principalmente as mulheres. O Parque Ibirapuera e outros locais característicos da cidade também são citados.
           
           Na página de agradecimentos, Bernadete conta que criou a personagem Paulinha em homenagem a uma amiga dela chamada Paula, cujo temperamento é muito parecido com o da personagem do livro. E também conta que seu falecido pai, referido por ela como inspirador, se chamava Antônio. Foi aí que pude perceber a homenagem que ela fez a ele dando esse mesmo nome para o pai da protagonista Marina.

É uma história contada numa linguagem leve e contemporânea, com direito a alguns palavrões colocados na hora certa, sem serem apelativos. Percebi que Bernadete estava muito à vontade durante o processo de criação dessa história e que, como a maioria das escritoras, deve ter colocado muitas características pessoais suas na protagonista. Posso dizer que é um livro que ajuda a despertar nosso lado “Love is in the Air”.